Na verdade, desde que ví como era o verdadeiro pão sírio num documentário sobre o Irã, eu tenho sonhado com um pãozinho sírio direto do forno pra minha boca. O que mais me D
deslumbrou foi o fato de o pão lá ser na verdade estufado, e não achatado como costumamos ver por aqui. Acho que isso ocorre principalmente pelas altas temperaturas dos fornos de tijolo (similar aos de pizza) que eles usam.
Bom, mesmo sabendo que não conseguiria reproduzir aquele pãozinho maravilhoso, resolvi tentar fazer o meu melhor. Vasculhei a internet por várias receitas e, como de costume, implementei pout-pourri das melhores coisas que encontrei adpatadas aos ingredientes que tinha. Falando em ingrediente, nada mais singelo que essa receita.
Primeiro, aqueça uma xícara de água. Não precisa fever, morna está mais que bom para misturar um saquinho de fermento biológico seco (10g) com uma colher de açúcar. Na verdade, os sites gringos usavam todos o tal do quick rising yeast, que acredito não termos por aqui. Todavia, acredito que qualquer tipo de fermento biológico deve servir. Pelo pouco que procurei a respeito, a grande diferença é o tempo de descanso da massa. Enquanto o tal do quick rising faz com que a massa cresça em mera 1 hora, os fermentos normais podem levar até 3 horas.
Deixe a mistura de fermento e água descansar por 10 a 15 minutos até que adquira um tamanho apropriado (essa é uma daquelas medidas de receitas subjetivas, como sal à gosto etc). Numa tijela junte três xícaras de farinha de trigo com uma(s) pitada(s) de sal. Deixe o centro da tijela "limpo", isto é, faça um buraco na farinha. Despeje o fermento nesse vazio e mexa bem. Acrescente água morna aos poucos (uma xícara no máximo) até que obter uma massa grudenta e sólida. Espalhe farinha numa superfície e vá sovando a massa, adicionando farinha quando necessário por mais 10 a 15 minutos. O objetivo é obter uma massa consistente, que não grude na mão e possua certa elasticidade, ou seja, quando esticada ela retorna a diminuir o tamanho.
Quando a massa estiver no ponto, acrescente uma colher de óleo vegetal (de soja, pode ser) numa terceira tijela (sim, faz bagunça, mas é o preço que se paga) e "lambuza" a massa de óleo de todos os lados, quase que "limpando" a tijela com a massa.
Deixe a massa descansar pelo tempo necessário para que dobre de tamanho. Na verdade, no meu caso passadas 3 horas a minha massa ainda não tinha crescido quase nada. Não sei bem o que deu errado, nem se isso interferiu tanto no resultado final.
Feito isso, é hora de "abrir" a massa. Como não tínhamos rolo de abrir massa aqui, o jeito foi recorrer para uma garrafa. Eu gosto dos pãe sírios bem finos, e fazê-los ficar dessa forma não é nada fácil, ainda mais sem o aparato específico. Não ficou aquela maravilha, mas acho que deu pra conseguir um resultado satisfatório nesse ponto.
Algo que deve fazer a maior diferença é a temperatura do forno. Em princípio, deve ser a maior possível. Como não tenho nada mais apropriado, fiz no forno, na temperatura mais alta. Dexei o forno pré-aquecer por 30 minutos pra garantir uma boa temperatura e taquei os pãezinhos numa assadeira na parte mais baixa do forno apenas.
Agora uma coisa importante: não se esqueça dos pãezinhos no forno. Dependendo da temperatura, eles podem ficar prontos bem rápidos. Eu achei que ia levar mais tempo e fui fazer outras coisa e o resultado foi uma cozinha típica de cena de incêndio de filme. A gente teve que entrar engatinhando pra alcançar o forno sem nos intoxicarmos com toda a fumaça que havia. E foi fuligem pra tudo quanto é lado.
Passada a besteira inicial, fiquei mais atento aos pãezinhos que se seguiram. Dei um toque especial salpicando gergelim sobre as massas. Deixei cada leva assar por uns 10 minutos, virando na metade pra assar por igual.
Uma coisa que percebi é que é importante deixar a espessura dos pães a mais homogênea possível. O que aconteceu foi que o centro, mais fino, ficou crocante enquanto as bordas, mais grossas ficaram um pouco cruas e tiveram que ser levadas ao forno novamente. No final, fiquei com preguiça de abrir tantas massas e cortei em tiras finas mesmo. Ficou bom.
Pra continuar na região, fizemos um patêzinho de chancliche que eu vou deixar pra Karina comentar e nos deleitamos. Tá bom, não ficou essa maravilha toda, mas ficou bem gostozinho, crocante, quentinho e fresco. Quem sabe na próxima a gente acerta direitinho...
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